Eu fiz cartas jurando que nunca
voltaria a sentir isto de novo. Mas assim como os pássaros que caem se
recuperam e voltam a voar, talvez eu tenha cicatrizado... Eu não sei escrever,
o pouco que escrevo é o que sinto, e o que sinto é muito para ser escrito, pois
não há palavras que simbolizem. Eu sou aquele bêbado pedindo dinheiro, mas que
na verdade pede ajuda. Sou aquele velho casaco que no inverno passado era indispensável,
mas agora não serve para nada, os buraquinhos e o cheiro de naftalina te
incomodam e ele não parece mais tão quentinho como deveria ser. Talvez esta seja
a sina da humanidade, se apagar para dar lugar a uma estrela mais brilhante.
Texto inspirado em Sapato
Velho – Roupa Nova.