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22/05/2013

O inferno dentro de mim


Eu fiz cartas jurando que nunca voltaria a sentir isto de novo. Mas assim como os pássaros que caem se recuperam e voltam a voar, talvez eu tenha cicatrizado... Eu não sei escrever, o pouco que escrevo é o que sinto, e o que sinto é muito para ser escrito, pois não há palavras que simbolizem. Eu sou aquele bêbado pedindo dinheiro, mas que na verdade pede ajuda. Sou aquele velho casaco que no inverno passado era indispensável, mas agora não serve para nada, os buraquinhos e o cheiro de naftalina te incomodam e ele não parece mais tão quentinho como deveria ser. Talvez esta seja a sina da humanidade, se apagar para dar lugar a uma estrela mais brilhante.

 

Texto inspirado em Sapato Velho – Roupa Nova.

 

 

28/02/2013

Por onde anda os teus olhos, que não estão diante dos meus? Quando o vento bate a porta é o teu cheiro que sinto entrando por ela. Mais uma madrugada longe do teu calor, longe do teu coração. Perco-me em meio aos lençóis onde as lembranças estão cravadas. E nessa embriaguez de saudade eu amanheço em desespero por não ter-lhe novamente, por não poder tocar e sentir o teu sorriso e teus beijos cobrindo o meu corpo, por não poder olhar em teus olhos e sentir-me segura. E assim, em meio a essa confusão eu vou esperando-te, buscando-te, desenhando-te. Em cada novo detalhe o coração desespera-se. Nesse mar de desejo o que resta é acalmar a alma e esperar. E assim posso o fazer. Fazer até não poder mais.







                                                       
                                                                                              " Aulas de História da Arquitetura podem inspirar bons textos. - Ou não. "

22/02/2013

Vida

Reabrindo as feridas,
Posso lhes dizer a verdade,
Lembranças não esquecidas...
Pedaços  da realidade.

O medo torna-me impotente, 
Sinto meus movimentos 
Mas me falta a coragem.
Sou hipócrita.

Com medo da vida,
Medo de ver o passado se repetir,
De ver minha estrela se apagar
E meu verdadeiro eu surgir.

Poeta de bar, 
Sem sentimentos,
Feita de rimas, 
Quem sabe eu possa mudar meu caminho?
A literatura me permitiria?
Peço licença, 
Mas os loucos não  pedem licença...
Eles atropelam as regras...
Sou hipócrita.
                           MANCIO, Camila.