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30 de mai de 2012

Titanium.

As gotas de chuva geladas aos poucos esfriavam o calor da sua pele. Olhos fixos no caminho obscuro. Palavras eram interruptamente balbuciadas por aqueles lábios pálidos como um fim de luar. Mãos trêmulas e inquietas gesticulavam coisas estranhas. Por dentro, sangrava de uma maneira tão intensa, que podia sentir sua alma lentamente esvaindo-se. Aos poucos as feridas iam abrindo-se. Mal dera tempo de cicatrizar. Mas, dessa vez doía de um jeito, que jamais doera antes. Era como se estivessem rasgando-a ao meio. Seus passos em direção ao nada intrigavam os olhos de quem observava. Cada centímetro da sua pele havia o perfume dele; havia um punhado de lembranças cravadas. Em cada gota de chuva, um velho sorriso parecia ecoar. Continuava avançando na direção da escuridão, com um ardor da chegada. Suas pernas, guiadas por aquilo que um dia chegou a ser um coração, insistiam em parar, mas seu corpo, de alguma forma precisava chegar lá. Só ela sabia a onde deveria chegaria, só ela saberia quando chegaria.

10 de abr de 2012

Os dias vão prolongando-se de tal maneira que torna-se impossível saber se já iniciou-se ou se iniciar-se-á. Ultimamente o doce está tornando-se extremamente amargo, que de tão intenso tem atravessado minha alma e atingido meu coração. É um amargo diferente, que envenena por onde passa e mata o resto do doce que sobrevive nos cantos empoeirados de mim.
E vai se misturando... E vai consumindo... E quando você vê, não há mais espaços para saborear o doce sentimental que outrora habitou a carne, só o puro do veneno, o amargo da dor que ele trás. A carne bruta que implora por um tempero, mas você está seco, duro, sem sabor... sem vida.

28 de mar de 2012

À você.

São olhares, sorrisos, toques e abraços que só acontecem ao teu lado. Uma explosão de múltiplas sensações que entorpecem corpo e alma. Esses teus olhos que me consomem em uma fúria de paixão unem-se ao toque macio e arrepiante das suas mãos. E ao passar dos dias meus corpo vai implorando para que teus braços envolvam os meus em um abraço quente e apertado... Único! Fecho meus olhos e sinto-te ao meu lado. Sinto o teu perfume, a tua respiração ao compasso da minha, como uma só.
Eu não posso me impedir de procurar por você. Eu não posso me impedir de desejar você. Eu não posso me impedir de te perseguir em meus sonhos. Porque jamais haverá eu, se não houver você. Em meio aos meus pensamentos, penso te achar, penso te perder. Penso que te querer já não é o suficiente.
Somos um imperfeito quebra-cabeça, mas que ao final torna-se único. Peça sobre peça em seu encaixe. Somos duas almas que amam-se em perfeita simetria mesmo sendo assimétricas. Dois corpos no mesmo calor, na mesma paixão. E mesmo nas noites solitárias, quando apenas idealizo-te, uma parte de mim corre a tua busca, corre a tua ilusória forma de ser.

23 de mar de 2012

Um beijo (quase) roubado. Longo abraço de despedida. "Eu senti sua falta." Lembranças corroem o coração. Na boca, o gosto do que passou. "Foi preciso." "Por quê?" "Sua presença ainda me bagunça." Silêncio. Olhares perdidos se encontram. O silêncio começa a doer. Acabou. Definitivamente, acabou.