Me desculpa? Me desculpa por não agir como tu esperavas. Por te decepcionar. Talvez por não ser o filho que tu queiras. Me desculpa por não ficar. Me desculpa pela minha impotência. Me desculpa por sentir e não mostrar. Por me esconder - pra ti não me ver chorar. Me desculpa. Me desculpa por não te dar o que tu precisa. Por não poder estar. Por cada lágrima que escorreu do teu rosto. Me desculpa por esses 10 meses que já não são mais os mesmos. Pra nenhum de nós dois.
Me desculpa por ele. É uma criança, eu sei. Eu deveria dar mais amor. Eu devia estar mais presente. Dói nele. Dói em mim. E dói em ti. Eu causo dor, eu sei. Me desculpa por isso, também?
Do fundo do coração: me desculpa?
15 de jan de 2012
12 de jan de 2012
Sentou-se. Olhou. Desesperou-se. Não havia mais nada a ser dito, todas as palavras haviam sido gastas em vão, ou ao menos havia tentado usá-las. Obstinações destruídas, assim como um punhado de sentimentos que desfragmentavam-se e deixavam-se levar pelo frio e agitado vento de agosto, que fazia as folhas das árvores dançarem ao seu compasso.
Observava o céu cor chumbo, que carregava consigo as tristes gotas de chuva. Naquele cinza, toda a sua dor era minuciosamente refletida e não havia nada que ele pudesse fazer para apagar o que fora consumado... Mas, repentinamente um delírio insano o fez retroceder. Levantou-se e pôs-se a caminhar em curtos e descompassados passos.
Suas mãos trêmulas tentavam se aquecer nos bolsos de seu sobretudo desbotado, enquanto a passos lentos marchava por aquelas velhas ruas; onde seus desmesurados alvitres ressurgiam das profundezas ermas de seu cerne. Não havia uma explicação concreta, ele apenas deveria continuar, mesmo que no final ficasse novamente despedaçado. Ah, despedaçado, esta palavra fora tatuada em sua alma, desde o dia em que descobrira o amor. Ele iria até aquela porta novamente e lá bateria mesmo que fosse sua ultima ação.
Uma espécie de suicídio sentimental possuía-o ao mesmo tempo em que um buraco passional abria-se e lentamente sangrava. Avançava pelas ruas enquanto sentia os pingos de chuva acariciando-o e trazendo algum reconforto solitário. Em meio aos seus delírios febris ele avançou até a porta. Aquela porta que por tanto tempo havia atravessado para encontrar seu misto de dor e prazer. Por onde incontáveis vezes ele bateu, esperançoso por saber que do outro lado existia alguém que sorridentemente abria-a. Uma lágrima salgada atravessou-lhe a face discretamente e um novo sentimento espontaneamente surgiu; era um dor diferente de toda aquela que ele sentiu na sua pequena existência.
Continuou. Subliminarmente ensaiava as velhas palavras, das quais nunca ousara usufruir. Pouco metros à frente observou a velha porta e no mesmo instante seu coração pulsou tão forte, que fora possível ouvi-lo. Aproximou-se delicadamente, preparava-se para bater, quando algo no seu bolso chamou-lhe a atenção. Era pequeno e rústico. Tirou-o do bolso e lentamente examinou. “Existem certos momentos na vida onde é preciso sacrificar-se por um grande amor. Deixá-lo ir, mesmo que isso nos torture brutalmente.” Devolveu o papel a seu bolso e limpou as lágrimas. Chovia forte e em baixo dessa chuva ele voltou. Era dor, era amor, mas no fundo sempre foi solidão. Talvez, fosse chegado o momento de dizer adeus... Talvez todo esse tempo tivesse sido apenas outra adorável ilusão.
Observava o céu cor chumbo, que carregava consigo as tristes gotas de chuva. Naquele cinza, toda a sua dor era minuciosamente refletida e não havia nada que ele pudesse fazer para apagar o que fora consumado... Mas, repentinamente um delírio insano o fez retroceder. Levantou-se e pôs-se a caminhar em curtos e descompassados passos.
Suas mãos trêmulas tentavam se aquecer nos bolsos de seu sobretudo desbotado, enquanto a passos lentos marchava por aquelas velhas ruas; onde seus desmesurados alvitres ressurgiam das profundezas ermas de seu cerne. Não havia uma explicação concreta, ele apenas deveria continuar, mesmo que no final ficasse novamente despedaçado. Ah, despedaçado, esta palavra fora tatuada em sua alma, desde o dia em que descobrira o amor. Ele iria até aquela porta novamente e lá bateria mesmo que fosse sua ultima ação.
Uma espécie de suicídio sentimental possuía-o ao mesmo tempo em que um buraco passional abria-se e lentamente sangrava. Avançava pelas ruas enquanto sentia os pingos de chuva acariciando-o e trazendo algum reconforto solitário. Em meio aos seus delírios febris ele avançou até a porta. Aquela porta que por tanto tempo havia atravessado para encontrar seu misto de dor e prazer. Por onde incontáveis vezes ele bateu, esperançoso por saber que do outro lado existia alguém que sorridentemente abria-a. Uma lágrima salgada atravessou-lhe a face discretamente e um novo sentimento espontaneamente surgiu; era um dor diferente de toda aquela que ele sentiu na sua pequena existência.
Continuou. Subliminarmente ensaiava as velhas palavras, das quais nunca ousara usufruir. Pouco metros à frente observou a velha porta e no mesmo instante seu coração pulsou tão forte, que fora possível ouvi-lo. Aproximou-se delicadamente, preparava-se para bater, quando algo no seu bolso chamou-lhe a atenção. Era pequeno e rústico. Tirou-o do bolso e lentamente examinou. “Existem certos momentos na vida onde é preciso sacrificar-se por um grande amor. Deixá-lo ir, mesmo que isso nos torture brutalmente.” Devolveu o papel a seu bolso e limpou as lágrimas. Chovia forte e em baixo dessa chuva ele voltou. Era dor, era amor, mas no fundo sempre foi solidão. Talvez, fosse chegado o momento de dizer adeus... Talvez todo esse tempo tivesse sido apenas outra adorável ilusão.
4 de jan de 2012
Nossos olhos cruzaram-se em meio à multidão, mas não havia nada deles que pudesse chamar minha atenção, pareciam ser outros olhos quaisquer. Olhos sem vida, que exprimiam uma tristeza retorcida por um belo e estridente sorriso estampado no rosto. Mas de certo modo deslumbravam-me e pareciam insanamente devorar-me em um ódio mergulhado em um mar de paixão. Encabulado, os meus ficaram ali, fugindo da intensidade em que eram vigiados, procurando um lugar para esconder daquela tepidez que estava esmagando-me. Porém, alguma coisa, aqui dentro relutava e teimosamente mandava-me criar coragem e mesmo que de relance devolver-lhe aquele olhar intensamente misterioso. Mas minhas mãos trêmulas, denunciavam-me e meu sorriso nervoso, demonstrava meu medo. Na reação do momento, levemente desviei meu olhar ao chão, e continuei. Ele... vagarosamente transpôs-se à mim; Pude sentir o perfume dele, envolvendo-me em seus braços e mergulhando meu corpo em paixão. Mas, de mim, só sei que ali fiquei, e observei ao longe, aqueles olhos partirem novamente para o mundo.
25 de dez de 2011
Face your fears, dear.
Chegou a hora. Pouco me importava se a luz me cegaria ou se o sol queimaria a essência do que eu escrevera aqui. Era metafórico demais, escondido demais. Chegara a hora, enfim, de mostrar o interior na camada mais espessa.
Por anos me escondi no que mais temia. Algo dentro de mim implorava pelo clarão do meio-dia, mas aqueles gritos ecoavam como o relógio que tic-taqueava no centro daquela sala quando chegava a meia-noite. Os opostos disputavam o meu corpo, as duas extremidades se distanciavam e levavam cada uma, um pedaço de mim.
Eu poderia dizer que a realidade em que eu vivia era absurdamente perfeita aos olhos de quem não a conhecia. Eu poderia beber duas doses de desamor com uma pitada de vodca. Talvez menos sanidade me fizesse abrir aquela janela e pular pra fora do meu mundo.
Voar pro mundo dela e roubar ela só pra mim.
Por anos me escondi no que mais temia. Algo dentro de mim implorava pelo clarão do meio-dia, mas aqueles gritos ecoavam como o relógio que tic-taqueava no centro daquela sala quando chegava a meia-noite. Os opostos disputavam o meu corpo, as duas extremidades se distanciavam e levavam cada uma, um pedaço de mim.
Eu poderia dizer que a realidade em que eu vivia era absurdamente perfeita aos olhos de quem não a conhecia. Eu poderia beber duas doses de desamor com uma pitada de vodca. Talvez menos sanidade me fizesse abrir aquela janela e pular pra fora do meu mundo.
Voar pro mundo dela e roubar ela só pra mim.
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